You met me at a very strange time in my life
“You met me at a very strange time in my life.”, assim encerra-se o filme Clube da Luta.
Quando você me conheceu eu estava uma bagunça. Não que eu ainda não seja uma bagunça, mas eu pelo menos estou tentando organizá-la. Quando você me conheceu, me precipitei, fiz drama, prometi sumir, te assustei, me assustei e por fim sumi.
Quando você me conheceu, eu mal conseguia me encontrar e já estava querendo te achar em qualquer lugar, mesmo quando sabia que você não estava ali. Acabei me frustrando sozinha, em um milhão de expectativas desencontradas.
Quando você me conheceu eu queria tudo, mas só podia lhe presentear com o nada e isso não seria justo pra ninguém. Querer tudo em volta de nada é se perder numa ilha de vazios, sozinho. Nessa ilha virei náufrago e inventei meu próprio mundo, com tanta gente menos você.
Quando você me conheceu, eu não cuidava nem de mim e me ceguei querendo cuidar de alguém que não queria ser cuidado agora, nem tão cedo, quem sabe um dia e assim me atropelei e te levei junto comigo. Foi um acidente catastrófico do que deveria ser tão bonito. Ou não. Acho que nunca irei descobrir.
Foi sol em dia nublado, pra voltar a ser nublado, pra virar vento em temporal. Hoje o dia acorda claro, mas o sol nunca foi tão bonito.
Quando você me conheceu, quis ser sua sendo minha, virei timidez, cabeça baixa, bochechas vermelhas, falta de assunto. Travei todos os meus sentidos, deslumbrada com um futuro que não foi. Um milhão de coisas na cabeça, mais um milhão de medos por cada pedaço da minha alma, perdi.
Quando você me conheceu entendi que o que foi era o que era pra ser e encerrei o assunto ali. Segui com a vida, aprendi com os erros pra evitar repeti-los e bagunçar tudo outra vez. As coisas que nunca acontecem quando acontecem ofuscam qualquer discernimento e quando vou ver me tornei alguém que nunca quis ser. Fugi.
Quando você me conheceu, optei por sair correndo, covarde, eu sei. Pessoas fazem coisas estúpidas pra parar de doer o que não precisa ser dor, mas a gente alimenta essa dor e quando vai ver está correndo de algo que não quer te prender. Ganhei a maratona da covardia e estou no pódio da completa estupidez.
“Você me conheceu num momento muito estranho da minha vida.” – o filme diz.
Você também.


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