Quinta-feira.
Dez anos passando por
mim e nem percebi. Dez anos sobre meus olhos e nunca o vi de verdade. Quando
acontece não dá pra prever, é só estar ali. Numa quinta-feira comum, num quarto
comum, numa situação nada comum brota o interesse. Interesse devastador
daqueles que não se pode segurar, é súbito, inseguro, pecador.
Ataca-me com fome,
mas não devora. Respeita e cuida até onde pode; e ele pode, deixo poder pelos
dez anos, deixo poder por ela. É mútuo. Entre carinhos e lençóis descubro que
ainda existem príncipes (mesmo tortos) na Terra. Um príncipe cheio de defeitos
que não se sobrepõem ao que tem de bom. Deveriam impedir os príncipes em
cavalos brancos padrão dos contos de fadas, ilude meninas e os reais são tão
mais interessantes.
Palavras brandas,
tremores, sorrisos . Estranho o novo olhar sobre ele. Entre puxões de cabelo e
beijos envolvo-me quase sem querer, sutilmente. Lentamente aproveitamos cada
instante, o que há de mais bonito já foi e ainda está sendo. Cumplicidade
indiretamente criada em todos esses anos, não sabia que o conhecia tanto e tão
pouco ao mesmo tempo.
Elogia. Mima.
Acaricia. Suspira. Fecho os olhos e ele aguarda meu sono pacientemente. Olhar
dormir. Mordo os lábios. Sorri. Não durmo, quero cada segundo. Outra
quinta-feira quem sabe? Não espero. Quero-te.
Sete horas da
manhã, hora de ir trabalhar. Passei a noite sem dormir, mas vivi um sonho sem
querer.
O irmão da minha
melhor amiga.
02 de outubro de 2009.


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