Quinta-feira.

11:11 Unknown 0 Comments


Dez anos passando por mim e nem percebi. Dez anos sobre meus olhos e nunca o vi de verdade. Quando acontece não dá pra prever, é só estar ali. Numa quinta-feira comum, num quarto comum, numa situação nada comum brota o interesse. Interesse devastador daqueles que não se pode segurar, é súbito, inseguro, pecador.

Ataca-me com fome, mas não devora. Respeita e cuida até onde pode; e ele pode, deixo poder pelos dez anos, deixo poder por ela. É mútuo. Entre carinhos e lençóis descubro que ainda existem príncipes (mesmo tortos) na Terra. Um príncipe cheio de defeitos que não se sobrepõem ao que tem de bom. Deveriam impedir os príncipes em cavalos brancos padrão dos contos de fadas, ilude meninas e os reais são tão mais interessantes.

Palavras brandas, tremores, sorrisos . Estranho o novo olhar sobre ele. Entre puxões de cabelo e beijos envolvo-me quase sem querer, sutilmente. Lentamente aproveitamos cada instante, o que há de mais bonito já foi e ainda está sendo. Cumplicidade indiretamente criada em todos esses anos, não sabia que o conhecia tanto e tão pouco ao mesmo tempo.

Elogia. Mima. Acaricia. Suspira. Fecho os olhos e ele aguarda meu sono pacientemente. Olhar dormir. Mordo os lábios. Sorri. Não durmo, quero cada segundo. Outra quinta-feira quem sabe? Não espero. Quero-te.

Sete horas da manhã, hora de ir trabalhar. Passei a noite sem dormir, mas vivi um sonho sem querer.

O irmão da minha melhor amiga.



02 de outubro de 2009.

0 comentários: