Quarta-feira.

11:05 Unknown 0 Comments


Era melancia. Sua boca tinha gosto da fruta, quase proibida. Passaram a noite trocando olhares discretos, esperando o momento certo quando os notares alheios se distraissem. Não aconteceu. Voltaram pra casa cada um em seu quarto: ele acompanhado, ela solitária.

Sentia-se feliz pela expectativa, não se iludiu, não achou que seria diferente, se satisfez sentindo novamente aquela leve frustração adolescente. Estava viva novamente, foi seu primeiro suspiro. O cheiro da melancia já havia passado pelos seus cabelos, sabia que não o teria hoje. Dormiu.

Sete horas da manhã ouviu um som, o bater na porta. Pulou da cama e não havia ninguém ali. Resolveu ir embora e ouviu um chamar. Instantaneamente sorriu, nada atrapalharia o que continuaria ali. Pacientemente tomaram café, ele quis leva-la, ela se opôs, ele insistiu, ela desistiu.

Parados um em frente ao outro nada se dizia, nada se fazia. Era um silêncio bonito, pois eram filhos do destino, o acaso comandava suas vidas. Não planejavam, tombavam um no outro com facilidade, não havia dúvidas que era pra ser.

É intrigante como as situações mais inusitadas se tornam logo as mais interessantes, por vezes inesquecíveis.

Não a beijou por respeito. Não o beijou pela dúvida da moça no quarto. Não conseguia pensar em outra coisa. Não conseguia pensar somente em uma coisa. Desejava-a. Ria de si mesma pelos ciúmes. A diferença em sincronia, foi num passo distraído que a quarta-feira aconteceu.

Os lábios se tocaram e relembraram do macio, tiveram certeza que era melancia. Naquela hora só existia a certeza de todas as coisas. Todas.


Tinham o mundo e a si mesmos.


8 de outubro de 2009.

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