Quarta-feira.
Era melancia. Sua
boca tinha gosto da fruta, quase proibida. Passaram a noite trocando olhares
discretos, esperando o momento certo quando os notares alheios se distraissem.
Não aconteceu. Voltaram pra casa cada um em seu quarto: ele acompanhado, ela
solitária.
Sentia-se feliz
pela expectativa, não se iludiu, não achou que seria diferente, se satisfez
sentindo novamente aquela leve frustração adolescente. Estava viva novamente,
foi seu primeiro suspiro. O cheiro da melancia já havia passado pelos seus
cabelos, sabia que não o teria hoje. Dormiu.
Sete horas da manhã
ouviu um som, o bater na porta. Pulou da cama e não havia ninguém ali. Resolveu
ir embora e ouviu um chamar. Instantaneamente sorriu, nada atrapalharia o que
continuaria ali. Pacientemente tomaram café, ele quis leva-la, ela se opôs, ele
insistiu, ela desistiu.
Parados um em
frente ao outro nada se dizia, nada se fazia. Era um silêncio bonito, pois eram
filhos do destino, o acaso comandava suas vidas. Não planejavam, tombavam um no
outro com facilidade, não havia dúvidas que era pra ser.
É intrigante como
as situações mais inusitadas se tornam logo as mais interessantes, por vezes
inesquecÃveis.
Não a beijou por
respeito. Não o beijou pela dúvida da moça no quarto. Não conseguia pensar em
outra coisa. Não conseguia pensar somente em uma coisa. Desejava-a. Ria de si
mesma pelos ciúmes. A diferença em sincronia, foi num passo distraÃdo que a
quarta-feira aconteceu.
Os lábios se
tocaram e relembraram do macio, tiveram certeza que era melancia. Naquela hora
só existia a certeza de todas as coisas. Todas.
Tinham o mundo e a
si mesmos.
8 de outubro de 2009.
8 de outubro de 2009.


0 comentários: