Os azuis - Parte 2
Voltei aos azuis,
ao olhar adolescente. Não bastou. Não deu. Seguiu-me até a sauna com o sorriso
serrado, beijou-me escondido. De primos a amantes num puxar de toalha. Não
senti as formigas. Minutos duraram segundos, mal se afastou e minha boca já
estava seca pela dele. Injusto.
Deu de ombros
enquanto tentava me concentrar no ocorrido, saiu como se tivesse o controle, o
domínio de mim. Senti como a Amélia pecadora, que espera o tango passar, presa
aguardando predador. Não gostei da sensação. Secou.
Subi tentando
recuperar o ego determinada a voltar por cima. Numa tentativa de sussurro
segurou meu braço dizendo: “_A noite. Não negue.” Queria negar, queria voltar,
me esconder. Assustou. Os azuis tomaram o controle, perseguiram meus lábios,
tomaram minhas armas e já levava minhas pernas. Deixei.
Levou a uma festa,
virei namorada, história clichê, segurava minha mão já alto de seus copos de
cerveja, era a atração, a diversão, senti os olhares de desejo. Eles me
queriam. Dançou comigo, disse que eu não valia nada, mas eu nunca disse ao contrário.
Fui a sua casa,
brinquei com o vapor do banho. Despiu-me, o despi. Corpos suados, cama
quebrada, eu relutava. Virei principiante onde era o meu domínio. Queria ir a
fundo, queria sentir mais que os azuis. Deitou ou meu lado e logo dormiu. Onde
deveria começar parou.
Fui embora com um
beijo áspero e com promessa de um até mais. Rachou o íntimo, tornei-me
adolescente a espera. A espera da incerteza de um nunca mais.


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