Os azuis - Parte 2

11:28 Unknown 0 Comments


Voltei aos azuis, ao olhar adolescente. Não bastou. Não deu. Seguiu-me até a sauna com o sorriso serrado, beijou-me escondido. De primos a amantes num puxar de toalha. Não senti as formigas. Minutos duraram segundos, mal se afastou e minha boca já estava seca pela dele. Injusto.

Deu de ombros enquanto tentava me concentrar no ocorrido, saiu como se tivesse o controle, o domínio de mim. Senti como a Amélia pecadora, que espera o tango passar, presa aguardando predador. Não gostei da sensação. Secou.

Subi tentando recuperar o ego determinada a voltar por cima. Numa tentativa de sussurro segurou meu braço dizendo: “_A noite. Não negue.” Queria negar, queria voltar, me esconder. Assustou. Os azuis tomaram o controle, perseguiram meus lábios, tomaram minhas armas e já levava minhas pernas. Deixei.

Levou a uma festa, virei namorada, história clichê, segurava minha mão já alto de seus copos de cerveja, era a atração, a diversão, senti os olhares de desejo. Eles me queriam. Dançou comigo, disse que eu não valia nada, mas eu nunca disse ao contrário.

Fui a sua casa, brinquei com o vapor do banho. Despiu-me, o despi. Corpos suados, cama quebrada, eu relutava. Virei principiante onde era o meu domínio. Queria ir a fundo, queria sentir mais que os azuis. Deitou ou meu lado e logo dormiu. Onde deveria começar parou.


Fui embora com um beijo áspero e com promessa de um até mais. Rachou o íntimo, tornei-me adolescente a espera. A espera da incerteza de um nunca mais.

0 comentários: