Luciana
A Luciana é poeira. Aquela pessoa que não se limita e não se
permite limitar. Limitar-se é perder o caminho, é diminuir. Como poderia
diminuir alguém tão grande assim? Que afogenta tão certeira aquilo que fere e
passa fome de alma.
Linda. Tão precisamente linda que tudo se encaixa em pouco
tempo. Em poucas horas encaixou-se em mim, como parte vital da minha
prolixidade. Hermética, assim como eu, vi seu destaque em Clarice, porém tive o
desprazer de experimentá-la efêmera. Emeferidade que dói quase sem querer, mas
rompê-la é fato consumado.
Luciana não merece que a definam. Luciana vai além de meros
adjetivos. Luciana é Luciana e só.
E tudo isso.
Luciana deveria ser livro.
Luciana - Parte 2
Presente. Substantivo comum, mas próprio de Luciana.
Luciana é um presente e o presente, mudando apenas os artigos.
Deveria vir embrulhada em papel celofane e um laçarote vermelho. Sim, deveria.
Luciana não se espera e nem cai na mortalidade vil do
ostracismo, com ela se está/não está, tem/não tem, vive ou morre. Tudo de uma
vez. Agora. Nesse exato momento.
Conjugada no presente do indicativo e sem definições e
regras gramaticais, é com a delicadeza de seu momento ou em seus olhares de
impaciência que vai surgindo, pouco a pouco ensinando o seu português. Azar de
quem ignora a sua gramática, de quem não vive esse o/um presente, mas fazer o
quê? Quem realmente hoje em dia quer decididamente desvendar alguém? Poucos.
Confesso que tive sorte.
Fez de meus dias mais serenos mergulhados n’um sorriso largo
e grossos aros de óculos, além de livro (como citei anteriormente), Luciana
deveria ser remédio. Doses homeopáticas ou superdosagens, overdose que não faz
mal algum, só bem. E bem e bem e bem. Repetidamente bem.
Pergunto-me às vezes, quem seria o seu remédio, mas não sei.
Em tempos a maturidade por si só já basta. Mas não adianta especular, porque
ela é presente, é o hoje, é já. Já. Suas respostas mudam, junto com o seu tudo
ou nada. Rápida demais, decidida demais, os segundos não se atrevem a demorar.
Não com ela, presente puro.
Um presente.
O presente.
Escolha o seu artigo. Ou fique com os dois. Mas depressa.
Luciana não pode esperar.


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