À você

09:10 Unknown 0 Comments




À você.

Pensei muito no que escrever. Escreveria mil coisas sobre esses dias. Escreveria principalmente que a sua falta me consome. Consome como nada me consumia e o aperto no meu peito é tão imenso que tenho medo que meu coração pule pra fora. Escreveria que deixar você ir embora foi a coisa mais difícil que já fiz na vida e que a saudade agora é aqui.

Mas não.
Não seria justo resumir assim o inesquecível.

Vou escrever que o pesado se torna leve a partir de agora. Escrever que os meus dias me aguardam e eu nunca tinha me dado conta. Vou escrever que o carinho precisa imperar por todo o resto, porque nós nunca fomos restos e só agora me dei conta. Porque não foi migalha, já que não é pão, mesmo que tenha me entregue tudo o que podia e alimentado o meu sorriso.

É sonho, coisa bonita, porque se a gente não foi bonito, meu bem, nada mais há de ser. Porque o pouco virou muito até amanhecer. E já é dia.

Vi o efêmero tornar-se inigualável, tenho mais sorte que a maioria das pessoas. Vi a evolução em tempo recorde no entrelaçar das mãos pelo brilho dos teus olhos. Seu peito virou minha moradia.

Hoje escrevo por tudo que deveria ser e não foi. Escrevo pra tirar o peso que levo nesse caminhar. Lhe entreguei o melhor que tinha, fui o melhor que pude, derrubei os muros que haviam em mim só pra ver o seu sorriso.

E vi.
E sorri.

Por todos os sorrisos que me proporcionou, pelas mãos dadas, pelos apelidos, pela sua barba, pelo seu ronco misturado no meu sono, por não ter me abandonado ao travesseiro, pelas lágrimas, pela sexta-feira, pelo café da manhã, pela rodovia, pelo vermelho da sua camiseta, pelo seu bom dia, pelo seu óculos fundo de garrafa, por tudo o que podia ser por mim e foi, digo:

Valeu a pena cada minuto. Você hoje é poesia.

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