As mãos.

10:44 Unknown 0 Comments


“Sinto falta das mãos dadas.” – Tenho certeza que começou assim. Certeza.

O toque das mãos é o cúmulo da intimidade, ainda mais para uma pessoa não tão carinhosa e um tanto perdida como eu. Pode parecer simples, mas é a maneira mais singela de dizer que alguém é importante pra você; quando os dedos se entrelaçam e sem querer esboçam: tem uma coisa especial aqui. Pode ser qualquer coisa, algo sem nome ainda, mas só o fato de existir já é um diferencial. Tanta coisa que não existe por aí.

A partir daí você nunca mais deixou de buscar as minhas mãos. Não sei bem se foi meu tom permissivo, mas é tão delicado que tenha prestado atenção numa frase tão solta no meio de tantas outras verborragias, que passei a reparar em cada momento que dedica à minha falta e sorrio. Acaba por perguntar o que há e eu digo um “nada” de um jeito tão pouco convincente, que você nem acredita, pois já está cansado de saber que a minha cabeça nunca fica vazia e provavelmente estou delirando sobre alguma teoria sociopata pseudo-brilhante, enquanto você autista sobre o reflexo do pisca-pisca no chão da sala.

Eu não reparei quando pintou as paredes de verde e aquela escada no meio do corredor quase passou despercebida, porém sei identificar cada gesto seu como ninguém, porque eu só reparo no importante e o meu olhar é todo voltado pro que me faz bem.


Você.

0 comentários: