As mãos.
“Sinto falta das mãos dadas.” – Tenho certeza que começou
assim. Certeza.
O toque das mãos é o cúmulo da intimidade, ainda mais para
uma pessoa não tão carinhosa e um tanto perdida como eu. Pode parecer simples,
mas é a maneira mais singela de dizer que alguém é importante pra você; quando
os dedos se entrelaçam e sem querer esboçam: tem uma coisa especial aqui. Pode
ser qualquer coisa, algo sem nome ainda, mas só o fato de existir já é um
diferencial. Tanta coisa que não existe por aí.
A partir daí você nunca mais deixou de buscar as minhas
mãos. Não sei bem se foi meu tom permissivo, mas é tão delicado que tenha
prestado atenção numa frase tão solta no meio de tantas outras verborragias,
que passei a reparar em cada momento que dedica à minha falta e sorrio. Acaba
por perguntar o que há e eu digo um “nada” de um jeito tão pouco convincente,
que você nem acredita, pois já está cansado de saber que a minha cabeça nunca
fica vazia e provavelmente estou delirando sobre alguma teoria sociopata
pseudo-brilhante, enquanto você autista sobre o reflexo do pisca-pisca no chão
da sala.
Eu não reparei quando pintou as paredes de verde e aquela
escada no meio do corredor quase passou despercebida, porém sei identificar
cada gesto seu como ninguém, porque eu só reparo no importante e o meu olhar é
todo voltado pro que me faz bem.
Você.


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