Livro Burro.

09:52 Unknown 0 Comments


Aí que há alguns meses atrás, comprei um livro fútil, daqueles que temos vergonha de deixá-lo ao lado dos outros tão superiores na prateleira. Mas o deixei guardado, quietinho ali, para num domingo entediante como esse tivesse uma leitura fácil e despretenciosa. Fiz um esforço danado para achá-lo interessante, não poderia simplesmente abandoná-lo, vai que há algum potencial entre a futilidade? Pela página 76, o jogo vira e simplesmente preciso terminar de desvendar o livro, preciso saber o que vai acontecer e quando chego a página 277, direciono toda a minha atenção ao livro fútil, ignorando tudo ao meu redor, simplesmente por estar me surpreendendo.
  
Por volta da página 343 me convenço de quão preconceituosa eu sou, que o livro é fantástico e simplesmente pode vir a mudar a minha vida. Mas nas páginas seguintes, o nível cai drasticamente e ele me parece tão previsível e clichê que se torna visível a decepção iminente.

Resolvo dar outra chance, por tudo o que me proporcionou anteriormente e por 20 páginas volto a acreditar no enredo, afinal, se já cheguei até ali, por que não ir até o final? Mas na penúltima página, tudo vem abaixo e começo a achar que o autor está duvidando da minha inteligência e me sinto tão estúpida por ter ousado ter esperanças por algo tão inferior. Saramago chora na minha prateleira e Clarice me despreza. Não ouso nem falar de Sartre que já precisava suportar a presença de Fernanda Young por ali.

Termino a última linha, sabendo que na verdade foi o livro fútil que terminou comigo, as linhas dele estavam ali e era mais que visível toda a sua limitação. Eu que insisti, eu que tentei, eu que resolvi me envolver com algo que não daria certo. Esse livro nunca foi pra mim, esse livro nunca teria seu valor na minha prateleira, 396 páginas de perda de tempo.

Quem é amante de Neruda, dorme com Mario Vargas Llosa, discute com Dostoiévski, tem Simone de Beauvoir como amiga íntima e vez ou outra anda de mãos dadas com Nietzche, não se contenta com best-seller, com o popular, com o que todo mundo entende.


Você, livro fútil, nunca vai ser bom pra mim e se não tem a acrescentar, não vai me emburrecer.

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