Carta à Umabel.
Querido Umabel,
Esta é a última carta que escrevo a ti, uma carta cheia de
lágrimas e sentimento. Se pudesse escolher não a escreveria, mas não posso.
Decidiu-se. Por si só.
Éramos destruidores e hoje sou destruída, o destino pregou a
peça da dor em mim e dói. E muito. O meu mundo veio por água abaixo e não quero
admitir, mas o destino é coisa tão complicada que não adianta muito tentar
entender. Pensei que eu te magoaria, com todas as minhas indecisões e
devaneios, mas foi você que me magoou inúmeras vezes. Foi a mim que machucou a
facadas, como se eu realmente nunca tivesse existido em mim. Sabe o quão
paradoxo é isso?
Criou paradoxos em minha vida, criou o sentimento mais lindo
do mundo, criou a dor mais mortal de todas, criou o nó na garganta, o passo
apertado… Tu ainda és o artesão dos meus dias, pois ainda incide total presença
neles dentro de mim. Você nunca me amou, fato; e eu me deixei cair em seus
braços como criança que começa a andar, o que se faz verdade. Você me ensinou a
andar pelos seus caminhos, pena que me fez voltar.
Nunca me amou, pois me descartou sem tentar, porque me
deixou ir embora, porque existe alívio em seu coração. Saber que a minha falta
te alivia me consome, não tens noção do que arrancou de mim. Meus sorrisos não
são mais sinceros, minha vivacidade se tornou fosca, meu olhar não anda mais o
mesmo e por quê? Por um destruidor. Fui destruída covardemente afundada em
sonhos que nunca serão concretizados. Tentei.
Tentei ser o melhor por nós dois, tentei te fazer feliz, que
nunca pudesse me esquecer e hoje estou morta pra ti. Estou morta pra mim
também, o mundo mais belo existente virou pó, virou foto na carteira, virou
música. Ouço a sua voz e choro, sem medo de admitir, porque ainda sinto. Sinto
o amor que tenho por você escorrer pelos meus olhos todos os dias desde então.
Disseram que vai passar que vai virar coisa bela, que vou
voltar a sorrir e vou sim, uma hora vou voltar a sorrir, mas não agora. Agora
por onde passo lembro de ti e não sei de onde sinto seu cheiro. Isso sangra
lentamente e a saudade corrói o que resta e já não resta muita coisa.
Eu amo você e isto não mudará, tudo que passamos juntos foi
lindo e nessa beleza nos perdemos e não nos encontramos mais. A tristeza que
fica é de dias tão belos que não voltarão. E nem eu voltarei, não mais, não
sempre, não sua.
Quero lhe parabenizar por ter me destruído, logo a mim tão
confiante. Ficarás marcado como meu destruidor, quem contornou a muralha que
existia dentro de mim e hoje ela se reergue novamente involuntariamente.
A eternidade do amor, a eternidade da dor.
Da sua e pra sempre sua,
Larissa


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